Teresa Caldas

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Os Princípios Vitais

  1. Relaxar o corpo
    Com uma expiração relaxe o corpo. Liberte a tensão. Com a inspiração seguinte observe o corpo a partir de dentro e relaxe. O corpo deve estar firme e tranquilo. Tente não ficar hirto, mas não deixe desabar a estrutura do esqueleto. Relaxe a partir de dentro.
  2. Acalmar a mente
    Quer estejamos concentrados, dispersos ou nervosos; felizes, tristes ou zangados; assustados, cansados ou enérgicos, os olhos no fundo da mente captam a nossa disposição interior, o nosso estado de espírito. Observamo-nos a nós próprios e praticamos em silêncio interior. O estado tranquilo da mente intensifica-se a si próprio com a prática.
  3. Intenção
    A mente estável e tranquila na meditação, na pranayama ou nas asanas, reflecte-se na prática; o corpo espera a prática; o coração abraça a prática com toda a sua força. Cada respiração intensifica a intenção e apura a sua direcção. Ao visualizarmo-nos a meditar, a respirar ou a mover-nos, ou ao imaginar outra pessoa como exemplo nessa prática, dedicamo-nos inteiramente a ela. Cada postura reafirma a nossa intenção.
  4. Enraizar/afundar
    Deixe o peso do corpo afundar-se no sítio onde toca o chão. O peso pressiona fundo e essa força em movimento sente-se no corpo inteiro. À medida que se vai dominando o poder de enraizar/afundar o corpo torna-se leve e move-se sem esforço.
  5. Conectar/ligar
    Esteja sempre conscientes de duas direcções opostas que estão ligadas uma à outra. Para subir, há que descer. Para ir para a frente, há que ir para trás. O desejo de expansão vem do âmago. A primeira direcção é a seta, a segunda o arco; o que os une é o que chamamos conecção. Como uma corrente. Quanto mais distinta cada parte se torna, maior a conecção entre elas – o corpo move-se em unidade.
  6. Consciência da respiração
    Temos que estar atentos à inspiração e à expiração. Ligue-se ao mundo e entregue-se à terra. Inspire e alongue, expire e afunde-se. Inspire e expanda, expire e crie firmeza e conecção. Por vezes a respiração é doce e suave, outras vezes é profunda e longa. A respiração está sempre presente.
  7. Alongar, expandir
    Ao criar raízes com a expiração, a inspiração suscita alongamento e expansão. Ou talvez o alongamento e a expansão, resultados de um afundar, sejam o que suscita a respiração. Quando o alongamento e a expansão ocorrem, não há abatimento nem fricção nas articulações, não há esforço muscular. O esqueleto protege o seu envolucro; o envolucro cria espaço para o esqueleto. E assim, o corpo move-se – relaxado e conectado -, uno.

Todos os princípios coexistem e têm de ser aplicados sempre, contudo é difícil vigiar o seu funcionamento em simultâneo. De forma a aprofundar a nossa compreensão dos princípios, devemos escolher um que nos atraia mais e com ele trabalhar constantemente até que seja dominado. Acontece muitas vezes termos de trabalhar um princípio durante alguns anos até ele se tornar a nossa segunda natureza. A prática só se torna plena quando todos os princípios coexistem. Assim, quando na prática nos sentimos “entalados/presos”, precisamos de olhar atentamente e descobrir qual o princípio que está a ser negligenciado e reaviva-lo.

Os princípios são o resultado de muitos anos de prática. Depois desta prática ter sido, (e continuar a ser), realizada diária e continuamente, de forma cuidadosa, com total consciência, com muita repetição e atenção, os “principios vitais” foram a conclusão a que Dona Holleman e Orit Sen-Gupta chegaram e descreveram no seu livro ‘Dancing the body of light’.